pluralmente só
pensei em procurar alguém para ouvir meus desabafos vãos e quase cedi ao impulso, mas consegui me conter. foi-se o tempo em que eu escolhia alguém considerado próximo para despejar textos longos, por vezes (sal)picados de sentimentos nada leves. no fim, sempre acabava no mesmo ponto: com o problema ainda colado em mim, só que agora caçoando da minha fraqueza — multiplicado, reverberando no mundo para muito além das vozes que ecoam em minha cabeça.
hoje, meu coração sacudiu o peito e me fez lembrar que sou o seu lar há todos esses anos. bateu em mim de um jeito que me atravessou e me fez recordar: nunca estive só, sempre fomos plurais.
nós — nossos passos, nossas escolhas, nossos erros, nossos acertos. eu me tornei mais forte ao (com)passo que ele me guiou. nós atamos os nossos nós, ele bombeou cada frame de vida bem de perto, desde a minha gênese em que habitei e fui plural em quem um dia me residiu.
eu não pedi para estar aqui, mas já que estou, o jeito é ser.
o papel me permite ser múltipla — e eu nunca gostei de ser apenas uma. sempre vi graça em ser a romântica que dança na chuva; e, na ânsia de me tornar dupla, acabei me sentindo mais somente só do que nunca.


é muito bom ter a si mesma, mas não esqueça que estou sempre aqui pra ouvir desabafos nada vãos <3 senti sua falta!
Uau, Luana. Que escrita e que profundidade. Lindo de ler e de sentir. Que boa notícia te (re)descobrir justamente pelo lado mais especial. Escreva mais, pelo bem dos corações afins :)